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Pedro Nava do Maranhão

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I gnoram-se as razões pelas quais, antes de publicar a obra que o consagrou, o médico ,  escritor  e memorialista  mineiro Pedro Nava  jamais  visitou o Maranhão, terra de seus  avós paternos e onde estão fincadas suas mais remotas raízes familiares no Brasil.  Em “Baú de ossos”, o primeiro de uma série de seis livros que constituem a mais importante  obra da memorialística brasileira, Nava revela que, em  São Luís   do Maranhão,  nasceu o seu  bisavô ,  Fernando  Antonio Nava, filho do italiano José Nava, que desembarcou no Brasil no final do século 18.  Também em São Luís   nasceram  os irmãos   Maria Nava Rodrigues, Ana Nava Rodrigues,  Paula Nava Guimarães (que foi professora do  Curso Pr imário, em Caxias) e  Pedro da Silva Nava, avô do escritor. Esse Pedro , segundo o testemunho do neto ,  veio ao mundo em  19 de outubro de 1843, na freguesi a de Nossa Senhor...

A polêmica dos cegos (O duelo entre Machado de Assis e o maranhense Joaquim Serra)

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“ Qual dos dois cegos mais sente/ O penoso estado seu:/ O que cegou por desgraça,/ O que cego que já nasceu? ”                     Em torno dessa intrigante questão, formulada pelo jornal fluminense A Marmota aos seus leitores,   o então aprendiz de tipógrafo e aspirante a poeta Joaquim Maria Machado de Assis   travou, aos 19 anos,   sua primeira discussão pública, ao enfrentar outro Joaquim Maria, o maranhense Joaquim Maria Serra Sobrinho, de 20 anos - mais tarde um de seus mais diletos amigos- , no episódio que ficou conhecido como “a polêmica dos cegos”. A polêmica, que durou um mês, de 26 de fevereiro a 26 de marco de 1858 –   há 161 anos, portanto - exibiu um Machado de Assis diferente daquele apresentado por seus biógrafos: o do intelectual que cultivara, durante toda a vida, o “tédio à controvérsia”. Afinal,   à exceção da crítica corrosiva feita ao escritor português...

A poesia visceral de Jorge Abreu

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Contra toda forma de barbárie, a poesia. “Contra fel, moléstia, crime, use Dorival Caymmi, vá de Jackson do Pandeiro”, receitou o cantor popular.  E tome poesia, concordou Octávio Paz,  para quem a poesia é conhecimento, salvação, poder e abandono. Foi com a noção desse poder utilitário, revolucionário e redentor do poema que o jornalista Jorge Abreu rendeu-se, enfim, ao assédio insistente da poesia. O resultado dessa capitulação é o belo e tocante  livro “Danações” (Editora Benfazeja), que ele acaba de lançar em Barra do Corda, a sua Ítaca natal, para a qual retornou definitivamente depois de enfrentar e vencer, como Ulissses, grandes batalhas nos seus mares interiores. Que ninguém se iluda com o título do livro, porque as danações de Jorge Abreu não se referem a travessuras, estripulias e teimosias, às quais está associado o vocábulo no interior do Brasil, e nas quais ele foi especialista, como menino crescido livremente “entre várzeas e rios de águas límpida...

A Petagógica e as fake news

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“PRIMEIRO editor, digno do nome, que houve entre nós”, segundo Machado de Assis, Francisco de Paula Brito (1809-1861) foi também autor de uma iniciativa original, no início dos anos 40 do século XIX, de combate a notícias falsas, as fake news, praga que parece nova em nossos dias, mas é tão antiga quanto a humanidade.  Nos fundos da livraria de sua propriedade, no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, Paula Brito fundou o que depois denominaria de Sociedade Petalógica, um clube lítero-recreativo e humorístico que reunia intelectuais, artistas, jornalistas e pessoas simples do povo. O jovem aprendiz de tipógrafo Machadinho era um dos frequentadores do clube. "Peta” significa mentira. O principal objetivo da sociedade, que tinha suas atas publicadas na Marmota Fluminense, outra invenção de Paula Brito, era desmoralizar os mentirosos – aqueles que, valendo-se de certa credibilidade - políticos, comerciantes e redatores de pasquins - , disseminavam mentiras, e, com elas, “faziam ...

Viva a Princesa Isabel!

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Desde o centenário da Lei Áurea, celebrado em 1988, a princesa Isabel Cristina Leopoldina de Bragança e Bourbon, que a outorgou, foi destronada do posto de “redentora”, título com que foi aclamada nas ruas pelos libertos. A partir daquele ano, que foi também o da promulgação da atual Constituição brasileira, estudiosos e lideranças do movimento negr o procuraram reduzir ou relativizar a importância do ato da princesa.   A abolição, segundo essa nova visão, foi o resultado da luta e da resistência dos escravos, e não da magnanimidade da Coroa. Assim, em vez de homenagear Isabel, o justo é homenagear heróis negros, como Zumbi dos Palmares, que lutou até à morte pela liberdade, e Cosme Bento das Chagas, o Negro Cosme, que comandou a resistência escrava no maior quilombo do Maranhão.   Em vez do 13 de maio, dia da assinatura da Lei Áurea, celebre-se, pois, o 20 de novembro, data da morte de Zumbi. O 13 de maio, passou, então, a ser considerado um dia nacional de luta c...