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Quadrinhos, livros e vacas

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Admiro os amigos que dizem ter lido a Divina Comédia aos oito, nove anos de idade, conheceram o idealismo transcendental de Kant aos dez e, aos onze, já sabiam de cor trechos do Fausto , de Goethe. Antes dos dez anos, o que eu lia mesmo, e muito, eram histórias em quadrinhos e livros de bolso. Lembro de estar, aos sete anos, na fila do Cine Natal, para assistir a  Ben-Hur, de William Wyler, com uma pilha de revistas do Fantasma, Mickey, Tarzan e Super-Homem debaixo do braço para o ritual de troca de exemplares já lidos, na calçada larga onde leitores e cinéfilos se encontravam toda vesperal de domingo. (Por que acabaram com o saudável escambo de revistas e figurinhas de álbuns nas portas dos cinemas? Ou, se melhor pergunto: por que acabaram com os cinemas daquele tempo?). Foram os quadrinhos, juntamente com o rádio – único meio de comunicação de massa que conheci na infância -   a minha primeira janela para o mundo. Com as histórias em quadrinhos, viajei países, ...

O Duque de Giz

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  Reunião no  terraço do Castelo de Giz, à beira do Rio Corda. O Duque está na margem direita da foto, sentado e de boina           Chamava-se José Nogueira Arruda. Zezé Arruda, para os íntimos.           Um dia, de passagem pela cidade, um caixeiro viajante lhe disse que a sua casa, por ser ampla e ter a fachada pintada de branco, assemelhava-se a um castelo de giz. Ele gostou da imagem, e o caixeiro, para agradá-lo duplamente, levou-lhe, na viagem seguinte, uma placa de alumínio com a inscrição que identificaria até hoje, na fachada, a morada branca mais célebre dos meus tempos de menino em Barra do Corda: Castelo de Giz. O Duque e irmãs, em frente ao Castelo             Se a casa, localizada em frente a uma pracinha arborizada e de fundos para o rio, era um castelo, o dono certamente era um duque, concluiu Zezé Arruda. Concedeu-se, assim, o título de...

A quarentena de Thoreau

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Thoreau e a cabana que construiu à margem do lago Walden          Um dia, não porque temesse o ataque de algum vírus letal, mas simplesmente porque estava aborrecido com a vida em sociedade, pediu emprestado um machado, dirigiu-se a uma floresta localizada a alguns quilômetros de sua cidade e, à margem do lago Walden, construiu uma cabana com troncos de pinheiro e foi cumprir uma quarentena que durou dois anos e dois meses. Durante esse período, sobreviveu exclusivamente do fruto de seu trabalho. O tempo livre era dedicado à observação da natureza e a reflexões sobre o sentido da vida. Essa experiência resultou num livro que influenciou gerações de escritores, idealistas e pacifistas, como Tolstói e Mahatma Gandhi, e se tornou referência para os primeiros movimentos ecológicos do mundo: Walden ou a vida nos bosques , publicado em 1854, nos Estados Unidos. Seu autor, o escritor, poeta, naturalista e filósofo norte-americano Henry Dav...