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A Igreja deve ordenar homens casados?

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Padre Antonio Diogo Feijó O padre Diogo Antonio Feijó (1784-1843), se vivo estivesse, estaria muito contrariado com a decisão do Papa Francisco, anunciada nesta quarta-feira (12.02.2020), de rejeitar a proposta do Sínodo da Amazônia de ordenar homens casados como padres para atuarem na região. Feijó, que foi deputado e senador por São Paulo, ministro da Justiça e regente do Império, defendeu, com veemência,   durante os primeiros anos do Brasil independente, um projeto apresentado à Assembléia Geral, extinguindo o celibato, isto é, a proibição imposta aos padres e freiras de se casarem. O panfleto de Feijó em defesa            da abolição do celibato Ele lembrou que antes do Concílio de Latrão proibir, no século XII, o casamento de sacerdotes, padres casados já exerciam os seus ofícios. E que o celibato não é algo natural, mas uma imposição medieval aceita sem discussão ao longo da história. Feijó compartilhava argumentos como o...

PAIXÃO PELAS FREIRAS

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Isoladas nos claustros dos conventos, religiosas sempre despertaram fantasias entre os poetas. No livro “Que seja em segredo”, publicado em 1990 pela L&PM, a escritora Ana Miranda repassa inúmeros exemplos de “amores freiráticos”, a devassidão que se verificava nas casas religiosas nos século XVII e XVIII.  A Gregório de Matos são atribuídos dezenas de poemas obscenos dedicados a freiras.  Dentre os simbolistas que exploraram o tema, destaca-se o poeta José Américo Augusto Olímpio Cavalcanti dos Albuquerques Maranhão Sobrinho (1879-1915).   Em 1897, aos 18 anos, ainda vivendo em Barra do Corda (MA), onde nasceu,  Maranhão Sobrinho   publicou o poema abaixo, dedicado a uma freira do convento de sua cidade: VÊS? ... Tomaram uma luz divina, estranha Luz d'aurora, nos flavos da montanha, Da branda aragem aos dúlcidos cortejos. Vês? Teu roupão mimoso de bretanha Estremece da brisa aos sãos bafejos -        Pálio ...

Mundo grande e estranho

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                             “ Um dia frio/ Um bom lugar pra ler um livro ”. (Djavan)             Encerro o ano na companhia do índio Rosendo Maqui.  Sábio e justo, “um pouco vegetal, um pouco homem, um pouco pedra”, esse índio é o líder da comunidade de Rumi, nos Andes do norte peruano. Ao seu lado, enquanto ele desfia o novelo da memória, contemplo a imensidão da cordilheira e, aos poucos, me familiarizo com o cotidiano desses índios que parecem felizes, com seus ponchos e sombreros coloridos, seus mitos e suas lendas, nas terras férteis do povoado onde cultivam milho, trigo, batata e a coca que os ajuda a suportar a pressão daquelas altitudes.   Mas a aparente felicidade dos indígenas de Rumi vai acabar quando ricos fazendeiros da região se apossarem fraudulentamente das te...

Andrelina e a lua

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       O 31 de dezembro era um dia muito especial para Andrelina. Não porque fosse reveión, que festa com esse nome esquisito não se conhecia no Curador, mas porque assim tinha sido nos últimos vinte anos. Por isso, no dia 31 de dezembro   ela acordava cedo, junto com as galinhas, como dizia, e logo começava a se desincumbir de suas tarefas, para que nada atrapalhasse o ritual de felicidade que iria cumprir nesta noite. Em poucos minutos a lenha crepitava no fogão e ela punha o café dissolvido na água para ferver numa panela. Corria ao quintal para colher, com um balde preso a uma corda enrolada numa roldana de madeira,   a água do poço escondido entre mangueiras, laranjeiras e um pé de tuturubá, uma fruta cujo cheiro de sexo rescendia entre as árvores e instigava a alma inquieta de Andrelina. Ela voltava para o interior   da casa com o balde cheio, abastecia os dois potes e as bilhas de barro da bilheira da copa, voltava à cozinha   ...