Mondego: anjo e demônio da Praia Grande
O reencontro com o artista plástico e bailarino Mondego, que ficou dez anos sem falar e agora diz que é anjo e demônio José de Jesus Mondego, em seu ambiente natural: o centro histórico de São Luís do Maranhão A última vez em que nos encontramos, quase uma década atrás, no centro histórico de São Luís, ele estava cumprindo o voto de silêncio que se impusera desde o começo do milênio. Num dia qualquer do final do ano 2000, decidiu que não pronunciaria mais nenhuma palavra, nem mesmo sozinho. Ninguém mais ouviria sua voz. E, então, mergulhou num silêncio impenetrável que durou mais de dez anos. Comunicava-se com gestos econômicos, para tratar apenas do essencial com as pessoas próximas. Dependendo do interlocutor, preferia escrever o que pensava ou desejava. Na ocasião, achei-o envelhecido para os seus cinquenta anos. Magro, comprido, como sempre, com uma barba rala, embranquecida, o rosto seco e encovado de dom Quixote. Entendemos-nos por gestos e sina...